sexta-feira, 16 de março de 2012

COLETÂNEA DE FRASES



       Aquele que diz que me ama, mas não ama o seu próximo, é um mentiroso. Jesus de Nazaré

       Quem não se fia não é fiel. Dona Cota

        O direito é poder. Quem tem mais poder tem mais direito. Quem tem menos poder tem menos
direito. Um ministro tem mais direito do que um mendigo. (...)

       Ingenuidade a minha pensar que podia vencer só porque tinha razão. Giordano Bruno ao
verdugo que  o levava para ser queimado vivo, na fogueira, pela Santa e Ignorante Inquisição.

       E se a realidade fosse apenas uma ilusão; e se as ilusões fossem a verdadeira realidade.
Castañeda

       O mundo em que vivemos não é o mundo real, é apenas uma das sombra do mundo real.
Cavalo Louco, jovem guerreiro Sioux que ouviu dos espíritos na montanha sagrada.

       Embora distante (150 000 000 Km) a tua energia está entre nós. Akenatom IV Rei do Egito
Antigo em seu Hino ao Sol escrito há "3 400" anos e que segundo Bautista Vidala só há duzentos anos a ciência moderna veio a entender que no HINO está contido o tratado de temo dinâmica.

        Deus, ó Deus, onde estás que não responde? Em que mundo, em que estrela tu escondes?
Antônio de Abreu Castro Alves

       Enlouqueço, mas tenho terríveis momentos de razão. Allan Poe

       No céu todo dia é domingo. George Orwell

       A lei é uma cerca; separa quem pode mais de quem pode menos com muita discriminação. BBS

       Da maneira pela qual Deus criou o mundo pelo pensamento e pela palavra pode também o
homem criar o seu próprio mundo pelo seu pensamento e pela  sua palavra.  Lourenço Prado

        O que pode ser verdade a luz de uma vela pode não ser verdade a luz de uma estrela. (...)

       Para mim amigos são aquelas pessoas que nos entendem; será que alguém me entende ? BBS

        A força de vontade, mais do que a fé, move montanhas. (...)

       Assim falava Zaratustra: Se bom em teus pensamentos, em tuas palavras e em tuas ações.
       Nietzsche

         A amizade assim como a liberdade é uma conquista de cada dia, mas são muito tênues. BBS

          Eu procuro não discutir Deus e não temer o Diabo. BBS                                                                               

       É muito difícil caminhar sobre o fio de uma navalha disse o sábio´, de semelhante modo é difícil o caminhoda salvação. Somerset Maugham
  
        O silêncio é o amigo que jamais atraiçoa. Confúcio

        Os poderosos podem matar tantas rosa quanto quiserem, mas jamais impediram a primavera.  "Chê"

       Avida é um alvo; aquele que tiver confiança em si atingirá o centro.  Willian  James

       Quem muito olha para as estrelas não vê as pedras do caminho.  (...)

        Gente atrasada atrasa a gente. BBS

         Quando quiseres tocar música para alguém, toques em uma flauta de taquara; porque se
 tocares em uma flauta de ouro as pessoas prestarão mais atenção ao ouro da flauta do  que à
 música.  (...)

          O mundo é um navio carregado de tolos a bordo do qual a esperança é muitas  vezes ironia
 e onde a ignorância e a incompreensão comandam. Catherine Anne Porter

          O homem é um oceano de sensibilidades e emoções com raras ilhas de inteligência e razão.
                                                                                                                                                                 (...)

           Se colheres rosas no caminho e deres a alguém não esperes recompensas; muitos só verão
 os espinhos. (...)

            Palhaço é um gênio que na sua igenuídade nos faz  rir de alegrias e chorar de tristezas. BBS

            Em um lugar onde não há caminhos os caminhos se fazem ao caminhar.   Antônio Machado

            Eu não sou solitário, mas gosto de solidão. (...)

            O poder tem pouco a haver com o conhecimento, e nada a haver com a sabedoria, mas tem muito a Haver com o controle político (militar e econômico). (...)

            Como é fraca a justiça dos homens, como está longe a Justiça de Deus. (...)

            A sociedade trata muito mal os que furtam (pequenos delinquentes), mas trata muito bem aquelesque sonegam. (grandes criminosos). (...)

              Eu acredito em Deus, mas ele não existe ( não é matéria); eu não acredito no Diabo, mas ele existe (é matéria: as   guerras etc).  (BBS)

             Presos pobres são trabalhadores que teimam em viver a qualquer preço. Marcos Rolim      

             Nesta sociedade hipócrita em que vivemos, é bem possível que se abandonarmos um criança pobre  em uma esquina não aparecerá nenhum interessado; mas se abandonarmos um porco, serão muitos os interessados. Glênio Streck

               Aguerra é um bom negócio ninguém pode negar, mas para o lobo é claro. (...)

               Quem erra uma vez, não quer dizer que vai errar uma segunda vez; mas quem erra dez vezes
certamente vai errar vinte vezes. (...)

                O sábio, de longe, observa a montanha que lhe parece em estado de parto, chegando perto
vê que tinha razão; a montanha pariu um rato. (...)

                 Trate bem as pessoas quando estiveres subindo porque tornarás a encontrá-las quando
estiveres descendo. (...)

                  A vida só vale a pena quando a alma não é pequena. Fernando pessoa

                  Quem só tem martelo pensa que tudo é prego. (...)

                  Muita luz é como pouca luz,  pertuba a visão. Castañeda

                  Nem um vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir. Sêneca

                  Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para a fogueira. (...)

                  O homem não evolui, só aprende tecnologias.BBS

                  Se um dia eu tiver bastante sabedoria espero saber o que fazer com ela. Larry Darnel

                   Educai as crianças e não será preciso punir os homens. Pitágoras

                   O medo da morte nos impede de viver, mas não nos impede de morrer. (...)

                   O medo é um mau conselheiro. (...)

                   Mais vale um passarinho na mão do que dois voando. (...)

                   Mais vale dois marimbondos voando do que um na mão."Pateta"

                  Quando eu parar de morrer é porque morto estou. (...)

                  Tem Pessoas que acreditam nas mentiras que contam. (...)

                   Muito cuidado com as mulheres mal amadas; são mais perigosas que cobras mal
matadas.  Câmara Cascudo

                  Para mim a piada mais original que exite é a piada do pinto: piu, piu. (...)                  

                   Especialista aquele que sabe cada vez mais de cada vez menos e leigo é quem sabe
cada vez menos de cada vez mais. Sérgio Jockyman

                    Tudo o que o homem faz debaixo do Sol  é vaidade. Eclesiastes

                    Quem é preso por ter roubado não é ladrão, mas é alguém que não soube roubar.(...)

                     Os cachorros também são humanos. Um certo ministro "incerto"

                     Hermes para os gregos ou Mercúrio para os romanos era o mensageiro dos deuses.
Sempre trazia os recados que os deuses mandavam para os homens. Os humanos sempre ouviam
 o arauto dos deuses mas nunca sabiam, realmente, o que os deuses falavam. Mitologia Greco
Romana

                    Nunca dizer nome feio e nem nunca mexer no alheio. Filosofia educacional de Dona Cota

                    Tudo o que escrevo, ou ouvi de alguém ou li em algum lugar, tudo é plágio. Isaac Asimov  
                   

                    Quem se considera um azarado deve ter mais cuidado. Dr João Matos

                    As pessoas não nascem racistas, mas se tornam racistas. Do filme "Missíssipi em Chamas"

                      Se você admite ser parte do problema, já é parte da solução. Laurence Petter

                      Todo mundo é incompetente, inclusive você. Laurence Petter

                      Quem não atrapalha já está ajudando. (...)

                      Nunca se arrependa de ter comido pouco. (...)

                      Tiraram-nos a justiça mas nos deixaram as leis.  Eduardo Galeano

                       Aqueles que chamamos de mentirosos não são mentirosos, mas são pessoas que não sabem mentir. (...)

                       O mais incrível dos mentirosos acredita nas mentiras que conta. (... )

                       De um porto um barco parte para o mar.É um parto. (...)

                       O verdadeiro amigo é aquele que é capaz de te criticar pela frente e de elogiar pelas costas. Fonseca Amador, Sandinista da Nicarágua

                       O que ouvi deve ser verdadeiro; mas se não o é deveria ser. Eduardo Galeano

                       Existem dois tipos de palavras; palavras de falar e palavras de escrever. Eduardo
Galeano
                     

                      Nunca perca tempo pesquisando o que e o que você pode copiar. Murphy (A Blloch)

                      Roubar idéias de uma pessoa é plágio; de muitos é pesquisa. Murphy ( A Bloch)

                      Pobreza no falar, pobreza no pensar, pobreza no agir. (...)

                      Riqueza no falar, riqueza no pensar, riqueza no agir. BBS

                      O aprendizado da Matemática, A Linguagem Natural e Universal, pode nos proporcionar
a maior riqueza no falar, no pensar e no agir. BBS

                      Conhecimento não quer dizer sabedoria. (...)

                       Lei do recruta Zero: Se lhe derem duas ordens contraditórias, obedeça a ambas.Murphy
(A Bloch)

                        É melhor um fim miserável do que miséria o tempo todo. Murphy ( A Bloch)

                       Nada há de novo sobre a terra; tudo no que se faz hoje já foi feito ontem e tornará a se fazer amanhã.  Tudo é velho debaixo do Sol. Eclesiastes

                       Se um homem tem um relógio sabe a hora certa; se tem dois sabe apenas a média. Murphy ( A Bloch)

                         Infelizmente a grande maioria dos políticos só conhecem dois projetos: um é chegar lá a qualquer preço e o outro é se manter de qualquer jeito. BBS

                          Educar é preparar para a vida, para a política. Gente educada combate as ratazanas que se perpetuam no poder. BBS

                           Regra da imprecisão: meça com um micrômetro ,marque com um giz e corte com um machado. Murphy ( A Bloch)

                         O homem vem do nada (micro, nascimento) e vai para o infinito (macro, morte), mas se entendi direito EINSTEN: o micro e o macro são uma só coisa, portanto...BBS

                         O homem criou um deus a sua imagem e semelhança, era um velho; depois trocou pelo filho. Mas tudo que o homem acredita ser deus, não é deus. São apenas caricaturas de DEUS. BBS

                          Não lamente aquilo que não pode mais ser mudado; será em vão, irá destruir o seu trabalho e o tornará um inútil. (...)

                           Uma criança é um inocente, duas uma multidão. (...)

                           Para limpar um coisa é preciso sujar ouras. Murphy ( A Blochy)

                           A capacidade que o homem tem de ouvir o ruído está na razão inversa da sua inteligência. Shopenhauer

                            O calado vence. Filosofia educacional da Dona Cota

                            Quem não tem humildade não reconhece os seus erros e está condenado a repeti-los.
(...)


segunda-feira, 12 de março de 2012

HISTÓRIA DE MINHA GENTE _ IX

                                                      Senhor Bino, um Exemplo de Vida


                Um dia desses, como já mencionei em crônica anterior, eu tive o imenso prazer de conversar com Albino Elviro da Silva, o Senhor Bino. Que figura, que alma pura e simples. Isso aconteceu na sua modesta casa de veraneio em Torres em em janeiro deste ano de "2012". Ele tem "80"anos, e só estudou até o quarto ano primário, isso lá no costão da serra, lá no meio do mato. Estavam presentes a sua esposa, Dona Carolina _ "75"anos e que estudou ainda menos que o senhor Bino, mas muito jovem, muito bela, muito querida  e uma de suas filhas a Dona Alzira da Silva Gaieski. Saboreávamos um gostoso café plantado e preparado por eles ali mesmo a trezentos metros do mar.
             O Senhor Bino como eu é "da Silva" e como eu descende de Rodrigues da Silva, mas  o Rodrigues da Silva dele não é o meu Rodrigues da Silva, portanto nós não somos parentes,  mas eu o enquadrei aqui na História da minha gente como se parentes fôssemos; afinal somos Seres Brasileiros, miscigenados e criaturas de um mesmo Criador. Somos como parentes.
              O Senhor Bino é como Jó, personagem bíblico,   um homem simples, culto, reto, temente a Deus e que durante toda a sua longa vida  vem se desviando do mal. Nada disso ele me falou, é claro, mas a medida que a nossa conversa fluía eu ia pescando as informações.
                    Menino inteligente e curioso começou a trabalhar muito cedo. A prendeu a profissão olhando para as coisas feitas e tornou-se um mestre carpinteiro com "17"anos. Um verdadeiro auto didata.
                   Fabricava  rodas d'água que moviam engenhos de cana que ele mesmo construía. Em uma roda d'água na sua propriedade adaptou um dínamo que foi comprar na cidade grande, de seis volts, para carregar baterias de rádio da colonada. Os colonos vinham de longe trazendo as baterias em carros de bois. Iluminou sua casa com uma lâmpada de seis volts, hoje um "foquito" de lanterna.
                     Isso tudo aconteceu lá no fundão da Praia Grande bem próximo ao Espigão de Barros, região onde meio século antes do senhor Bino ter nascido, os homens do general Artur Oscar prenderam José Rodrigues da Silva, José Rodrigues da Silva que gerou lenda. Lá na Pria Grande que que hoje é município de Santa Catarina, mas que já foi distrito da freguesia  da Mãe dos Homens do Grande Araranguá e que no tempo do homem da lenda pertencia a São Domingos das Torres no Rio Grande do Sul.
                      Mas voltando ao Senhor Bino, mestre carpinteiro de profissão, ele para atender a colonada, seus clientes, era comum atravessar um mesmo rio cinco vezes (cinco passos de rio) por falta de estradas. Também era comum morar dois e até três meses na casa de um cliente para fabricar uma roda d'água, uma moenda de cana ou mesmo uma casa. Como jovem honesto, trabalhador e competente que era, recebeu muitas propostas de casamento feitas pelos proprietários que tinham filhas "casadouras". Mas o coração do seu Bino já pendia pra alguém que ele vira de longe algum vezes; na verdade o seu coração já estava fisgado.

                   Seu Bino, também, fabricava carros de bois, pilão e gamelas. Nas horas vagas transformava latas de azeite doce em canecas e outros utensílios domésticos; consertava guardas-chuva e fazia alianças para noivos com moedas de "1928".
                     Após uma cantada a moda antiga  (fala para um tio de Dona  Carolina que simpatizava com ela e tinha boas intenções) começa um namoro que resulta em casamento no ano de "1954". Além da  esposa passa  agora a ter uma ajudante. Quando morre alguém seu Bino é chamado para fazer o caixão do defunto. Dona Carolina o ajuda forrando o caixão e a menina Alzira, filha do casal com dez anos, faz os enfeites do caixão.
                      Na década de "1960" é descoberto por pessoas de Caxias do Sul que lhe fazem uma boa proposta de tralho e vai morar na cidade grande. Lá os filhos estudam. São cinco filhos, três homens e duas mulheres. Hoje estão todos eles bem colocados para orgulho do senhor Bino e dona Carolina.
                       Dois dos filhos homens são engenheiros mecânicos   e que levam para o mundo, debaixo do braço, o nome do Brasil nos projetos da Marco Polo.
                         E assim após ter conversado muito e ouvido pouco eu pude  escrever esta  minha homenagem sincera a Albino Elviro da Silva, O Senhor Bino, a sua esposa Dona Carolina e  aos seus filhos, gente simples da nossa terra que servem de modelo  para ser imitado pela  nossa gente.

quinta-feira, 8 de março de 2012

HISTÓRIA DA MINHA GENTE VIII

                Um dia desses, Janeiro de "2012", eu tive o imenso prazer de conversar com uma pessoa conhecida, mas com a qual, até então, eu tinha pouca afinidade. O seu nome Albino Elviro da Silva _  o Senhor Bino _ "80"anos e filho de Júlia Rodrigues da Silva. Isso aconteceu na sua modesta casa de veraneio aqui em Torres, na presença de sua esposa  e de uma de suas filhas. Dona Júlia, a mãe do seu Bino, era irmão do "coronel" Severiano Rodrigues da Silva que foi por duas vezes prefeito de Torres e, também, delegado de polícia.
          Eu, como o senhor Bino, sou DA SILVA e como o senhor  Bino descendo de RODRIGUES DA SILVA. A minha descendência inicia com José Rodrigues da Silva, o possível "homem seco" da lenda da Igreja Matriz de Torres, que teve filhos com uma mulata bonita, meu bisavô por parte de meu avô Appollinário José (Rodrigues) da Silva e de meu pai Barcellos Appollinário da Silva; José Rodrigues da Silva   era pai dos famosos irmãos RODRIGUES (DA SILVA), esses filhos com sua mulher branca e era filho de Manoel Rodrigues da Silva o genro do alferes povoador, da antiga   São Domingo das Torres,   Manoel Ferreira Porto.
          O Senhor Bino, também, inicia a sua descendência  de RODRIGUES DA SILVA pelo seu bisavô. de nome Patrocínio Rodrigues da Silva.
          Patrocínio era o pai de Elviro Fortunato da Silva e Elviro, o pai do "coronel"  e dona Júlia e portanto bisavô do Senhor Bino.
          Acreditando ser um conhecedor da História dos RODRIGUES DA SILVA fui tagarelando enquanto o senhor  Bino , esposa e filha com muita paciência e educação me escutavam. Falei sobre  José Rodrigues  da Silva, o possível simpatizante maragato e possível homem seco da lenda da igreja matriz de São Domingos das Torres, filho de Manoel Rodrigues da Silva o proprietário junto com o irmão Luciano da sesmaria  de Curralinhos, seus filhos (filhos do possível homem seco) "os famosos irmãos Rodrigues  da Silva", José, Manuel e Gordiano cuja História segundo, Ruschel, permanece nebulosa e, portanto, há muito a pesquisar.
           Falei para o senhor Bino que os Rodrigues da Silva ficaram conhecidos  como gentes bondosas, guerreiras, justiceiras, bandidas. Conforme o ângulo da História uma qualidade, mas que estão entre os primeiros povoadores portugueses da antiga província de Laguna, Laguna que era  todo o sul do Brasil.
            Também falei que os Rodrigues da Silva descendiam do casal de portugueses João Rodrigues da Silva e  dona Antônia
                                         dos Santos Pereira. Ele soldado e povoador e tronco maior (tronco primeiro) da Família. Falei que os irmãos Manoel e Luciano deram o nome a "estiva" dos Rodrigues na lagoa do Sombrio e, também, a Sanga dos Rodrigues que serve de liame entre a Lagoa do sombrio e o Rio Mampituba. Falei  que ainda não deu para apurar se esses irmãos eram, netos ou bisnetos do genearca e que Manoel Rodrigues da Silva, um dos irmãos proprietário da Sesmaria de Curralinhos, segundo o padre  Raulino Reitz em seu livro A Paróquia de Sombrio, página "80" de "1948", foi quem construiu a primeira capela de São Domingos das Torres, hoje igreja matriz, onde foi sepultado com sua esposa dona Cândida Ferreira Porto, filha do  povoador da atual cidade de Torres _ alferes Manoel Ferreira Porto. Manoel Rodrigues da Silva (o velho Neco Rodrigues)  era homem de muitas posses, "80" escravos etc e tal... Teria, também, construído a taipa do potreiro da Praia da Cal e possivelmente o potreiro da Ronda. Teria muitas terras, também, do lado de cá do rio Mampituba.
           Mas de quem mais falei foi do coronel Severiano Rodrigues da Silva." Coronel" título  possivelmente  conquistado pela valentia como ficou conhecido. Como ximanguista de Borges lutou contra os temíveis e incansáveis maragatos na revolução de "1923".
             O "coronel'  Severiano que morreu com idade avançada por volta da década de "1970" ficou conhecido na História local como um homem analfabeto, extremamente inteligente e muito severo. Segundo alguns a severidade do "coronel" estava muito próximo da crueldade.
             Ao comentar esses fatos com o senhor Bino eu me sentia muito a vontade pois acreditava que pelos RODRIGUES da  SILVA nós éramos parentes. Ele, o Senhor Bino, bugrão com eu.
            Após minhas tagarelices (Dona Cota, Senhora Minha Mãe, Já dizia: Este "inimale" quando abre a "matrarca" não deixa ninguém "falá") O Senhor Bino com a paciência  e sabedoria  me olha com bondade e com bondade  me diz: Olha Bento,o meu tio Severiano Rodrigues da Silva, na verdade, não é RODRIGUES DA SILVA. Eu fiquei espantado.
            E como Jó, personagem bíblico, que era um homem culto, reto, paciente e temente a Deus e que se desviava do mal, o Senhor Bino, com bondade infinita, enquanto saboreávamos um gostoso café cultivado e preparado por ele e sua esposa nos fundos da sua modesta casa de veraneio, foi me explicando o RODRIGUES DA SILVA dele que não era o meu RODRIGUES DA SILVA.
                Segundo o senhor Bino o seu bisavô, Patrocínio Rodrigues da Silva, é o genearca da família. Na verdade Patrocínio, o tronco principal desses Rodrigues da Silva, não descende de portugueses como seria de se esperar. Patrocínio Rodrigues da Silva é um "Alemão Nato" do tempo que ainda não existia a nação Alemanha lá pela volta de "1850" e que chegando ao Brasil, por razões que o senhor Bino não soube me explicar, o nome verdadeiro de seu genearca não poderia ser conhecido e, então, adotou o nome Rodrigues da Silva. É claro que quando o Rodrigues da Silva ALEMÃO  chegou no coronel, delegado e prefeito e posteriormente no senhor Bino já havia muita miscigenação. Já havia a formação do legítimo e verdadeiro Ser Brasileiro que é a mistura das raças.
               Parece que Patrocínio Rodrigues da Silva conviveu com os Rodrigues da Silva da região do interior da Grande Torres e  do Grande Araranguá e o senhor Bino fez questão de mostrar fotos dos parentes onde aprecem muitos loirinhos.
           Apenas como um complemento vamos citar que na Revolução Federalista de "1893"  (crônicas de R R Ruschel) entre os pica-paus de Júlio de Castilho haviam Rodrigues da Silva (Boaventura e Inácio) que combatiam os  os famosos Irmãos Rodrigues da Silva maragatos (os filhos do homem seco da lenda da igreja matriz de São Domingo das Torres) e que na Revolução de "1923" o coronel Severiano Rodrigues da Silva, também, combateu ao lado de Borges de Medeiros os incansáveis maragatos de Assis Brasil aqui na nossa região.
             


          

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

PASSOS PERDIDOS

                                                   Do Fundo da Alma e do Fundo do Baú

       Perdoe-me o autor por não me lembrar o seu nome. Perdoe-me o autor por machucar os seus versos. Mas já se passaram , acredito, "50" anos. Eu li em um antigo almanaque do antigo Correio do Povo. Perdoe-me o autor porque não conheço métrica, não conheço rimas, mas agora em uma madrugada em que senilidade  perturba o meu sono, a poesia me aflora e os sentido é este, o sentido é verdadeiro.

                                                                    Passos perdidos
,
                                           Esses passos, sem dono, perdidos na noite
                                           Esses passo, perdidos  sem dono, na noite molhada
                                           Esses passos perdidos, sem dono, que levam a onde?
                                           Devem ser de uma alma cansada, esses passos sem dono
                                           Que dentro da noite, perdidos, se escondem
                                           Esses passos perdidos não vão retos
                                           Sem dono parecem vagar para um lado qualquer, sem cuidado
                                           Onde irão esses passos perdidos sem dono 
                                           Esses passos de pés tão cansados?
                                           Devem ser de uma alma penada
                                           Pelada, cansada, sem tempo e sem nada
                                           E se o Sol os colher que tristeza 
                                           Perderão toda uma estranha beleza 
                                           De uns pés que na noite se escondem
                                           Onde irão esses, passos perdidos, sem dono
                                           Esses passos, sem dono perdidos que levam a onde?


           Se alguém conhecer a poesia verdadeira e o seu autor e quiser cooperar com este pobre escriba,
faremos aqui uma dupla homenagem: ao poeta e ao colaborador.




quinta-feira, 24 de novembro de 2011

HISTÓRIA DA MINHA GENTE - VII

             Além e Aquém Mar

           Além  mar

           No final do século desessete, mais exatamente em "05/10/1692 ", na igreja da freguesia de santa Eufêmia de Penéia em Carvalhais Portugal, casam-se Manoel Fernandes de Jião e Izabel Francisca, os noivos são da redondeza. Em "21/10/1696" nasce o filho João Rodrigues da Silva que vai ser soldado e povoador. É gêmeo com Manuel.
           Em "09/01/1716", na freguesia de Nossa Senhora da Penha em Lisboa, casam-se Sebastião Pereira e Páscoa Maria. Ele filho de Manoel Fernandes e Domingas Gonsalves, ela filha de João Esteves e Maria Lourença. Em "13/11/1718" nasce Antônia, fruto desse matrimônio.
           Em meados do século dezoito a senhora Bernarda Ferreira deu a luz a Manoel Ferreira Porto. O pai da criança é Domingos Gonsalves. Este fato aconteceu em Santa Maria de Águas Santas, no Conselho de Maia, próximo a cidade do Porto. Daí o Porto no seu nome. É claro que isso aconteceu, também, lá em Portugal.
          Em data incerta, lá do longínquo continente negro, berço da humanidade e do homem tropical, parte uma certa gente, incerta e preta que com seu suor, seu sangue e suas lágrimas seja construída, além mar, uma Pátria chamada BRASIL, lugar em que se plantando tudo dá. Nação do Sol e do Falar Brasileiro, Império das Águas e dos Minerais. Terra do Ser Brasileiro, A "Raça Cósmica" que é a Miscigenação de todas as "raças".
       
           Aquém mar

           No ano "1853",  possivelmente em Laguna, a cativa Eva Pereira da Silva, (EVA que quer dizer vida) filha de negros desconhecidos (pais desconhecidos constam nos documentos), dá  luz a um negrinho. Talvez EVA tenha nascido em uma propriedade de pessoas cultas, retas, tementes a Deus, mas que tinham escravos que geravam negrinhos e depois essas pessoas que eram cristãs e que se desviavam do mal, vendiam os negrinhos. O nome do negrinho Paulino Pereira da Silva, filho natural, O NEGRO DO RETRATO.
          E aqui na terra das palmeiras onde canta o sabiá, no ano de "1907", um casal de bugres ( ou mameluccos ou não sei o quê ) descendentes dos antigos propietários da terra, ele José Emigídio Soares da Cruz e ela Maria da Cruz Silveira  da Rosa, casados na igreja católica,  geram uma bugrinha sapeca que dão o nome de Emília que se cria pobre e analfabeta como os pais.
               Em "1737", na Província Cisplatina ou Colônia do Sacramento  que era Brasil, Colônia de Portugal, o então soldado e povoador João Rodrigues da Silva casa se com  com Antônia  "21" anos mais jovem. E lá na Colônia do Sacramento eles geram dez filhos; seis mulheres e quatro homens. Dos homens Somente um deixou descendentes (Rodrigues da Silva); as mulheres pelo que  não levaram o nome Rodrigues da Silva para os descendentes.
              Leituras:
             A carta de pero vaz de caminha
             A superioridade do homem tropical
             Nação do Sol
             Império das Águas

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

ROMANCE DE VELHOS


       Um amigo me contou essa história que achei muito interessante e que circulou na região; é de um nativo torrense e, portanto, um amigo de todos nós.
       O dito vizinho, já  há algum tempo toda a vizinhança notava, andava triste e depressivo. Via-se de longe pelo o seu caminhar lento e o olhar voltado para o chão. E de perto era de dar dó.
       Todos sabiam que o problema era conjugal. Há tempo a vizinhança já não era mais abastecida pela horta que, o “pobre Jeca” relegara ao abandono. Agora, lá, só havia inços.  O coitado apenas se movimentava da casinha nos fundos da morada, antigo depósito de ferramentas transformado em dormitório, até a bodega do compadre onde quieto e afastado num canto, procurando se esconder em um ângulo da  parede, beberica um trago. Não tem mais ânimo para fazer os pequenos biscates pela redondeza. Pouco fala com os amigos e quando fala é só aquela ladainha: ó vida, ó gente...
       Nos momentos em que a esposa da uma volta nos seus afazeres, mulher má, ele dá uma rápida investida pela porta dos fundos, invade a cozinha e, com uma colher grande, faz uma rápida limpeza nas panelas.
       Um certo dia, após uma soneca rápida, pega o  ônibus das “14”h e se dirige ao centro da cidade. Vai ao banco receber a sua minguada aposentadoria. Já com o dinheiro no bolso encontra um amigo, entram no bar e jogam conversa fora enquanto assistem um enlatado na TV. Depois, as noícias com muitas cenas de crimes, muitas mentiras e muita propaganda de drogas. A seguir a novela com cenas de sexo explícito no horário nobre prostituindo a Nação do Sol e do Ser e do Falar Brasileiro, e arredores. Um mau exemplo para o mundo. Agora já há bastante gente no bar, finalmente chegou o horário da indústria do “futebol” profissional.
      Muitas conversas, algumas cervejas, “Ouvo” na conserva e cigarros a vontade. Discussão sobre um gol que não aconteceu, discutem, também, o impedimento que só o juiz não viu. O jogo é da seleção brasileira, é claro, formada por um bando de mercenários contra não sei quem e são comandados,dentro do campo, por um cidadão que faz propaganda de bebidas “alcólicas”, a mais maléfica droga que a humanidade consome: que exemplo. Senhores Ministros dos Esportes, da Educação, da Justiça , Senhora Presidenta, SOCORRO; ONDE ESTÃO AS AUTORIDADES?
       Alguém, no bar, ofende as senhoras mãe e esposa do  juiz. O  juiz, parece que irritado com as ofensas, termina o jogo sem os descontos. Parece que foi zero a zero, parece que foi contra o Paraguai. Mas perderam nos "penarti". O gramado era muito ruím, mas ó para os brasileiros.
       E assim foi adentrando ( como dizem os policiais na televisão) na noite e o nosso "personagem real" até parece que ficou com alma lavada. Todos vão embora, o amigo já tinha ido há algum tempo. O dono do bar lhe dá boa noite e fecha as portas. E ele se vê só na calçada; contempla a rua de  asfalto careca e pouco iluminada, embora haja no céu uma fatia da Lua que aparece entre nuvens tocadas pelo vento. Fica um pouco assustado.   A brisa que sopra é suave e fresca, mas ele não se deu conta que o tempo não espera. O último ônibus passou já fazem duas horas. Na vinda de ônibus “10”minutos, na volta, a pé, andando rápido, “2”h. Mas lá vai ele na umidade e no frio da noite, com a minguada aposentadoria no bolso e com medo dos ladrões.
       Felizmente a caminhada rápida aquece o corpo e os ladrões aquela noite estavam de folga. Quando chega em casa já é madrugada alta. Vê que no quarto há uma fraca luz amarelada; deve ser a jararaca que está rezando a a luz de uma vela, pensa.
       O portão está com aquele cadeado enorme, naquela cerca alta que ele mesmo fizera para ter mais segurança e havia ainda os arames farpados por cima, mas ele perdera a sua chave. Agora se lembra, quando foi pagar  a despesa, no bar, colocou a chave em cima da mesa, deve ter caído no chão.
        Ele agora tem que fazer o que julgou que nem um ladrão faria, ou seja, pular a cerca para entrar na sua própria casa, e não pode fazer barulho, a víbora ainda está acordada. Felizmente o vira lata o reconhece e apenas abana o rabo e fica olhando curioso. 
       Após muita ciência e muita paciência consegue realizar a façanha impossível, pulou a cerca, mas rasgou a calça no fundilho. A calça era nova, resmunga, mas se conforma. Felizmente foi só a calça _ puxa! O grampo do arame passou perto, só não pegou mesmo porque estava miudinho pelo longo tempo de desuso.
       Pé por pé e nas pontas dos pés para não fazer barulho se dirige ao quartinho dos fundos. Nota que a luz da vela não mais existe, resmunga baixinho gesticulando, quando Nossa Senhora pisou na cabeça da serpente não foi “divardi atoa”. Cansado dorme como um toco de pau e quando se acorda é quase meio dia, pela primeira vez na vida não vira o galo cantar. Para ele um outro dia muito triste, pensa até na morte, mas prefere a fuga. Decidido resolve por um fim naquela história: acomoda as roupas em uma velha e surrada bolsa e se prepara para partir.
       Quando chega ao portão o cadeado ainda está lá e ele não tem a chave. Se prepara para pular a cerca quando houve o sibilar da víbora nas suas costa: quem é a outra? Pergunta, severa. Ele assustado e gaguejando repete: _ Quem é a O U T R A? _ Sim responde a mulher, repetindo: _ Quem é a outra, onde ela mora? E com um movimento o agarra pela cintura. Com o susto ele deixa a sacola de roupa cair e desequilibrado se agarra na esposa para não rodopiar no chão. Os seios da mulher que ainda tinham muito vigor roçam no rosto do amigo de todos os torrenses. Ele assustado olha para a mulher que está rubra, mas não de raiva. Ele, também, sente um calorão em todo o corpo. Nota alguma coisa mais consistente no fundilho da calça. Ambos riram como duas crianças e voltam quase correndo para o quartinho dos fundos, dizem os vizinhos. Naquela tarde ele feliz volta a cuidar da horta enquanto ela faz despejo no quartinho.
        À noite o aroma de galinha (galo) caipira se esparrama pela redondeza. Agora ele é feliz, trabalha de sol a sol. O quartinho dos fundos já não existe mais, para lá voltou o carrinho de mão e as outras ferramentas. A esposa na verdade nunca fora ruím. Havia apenas alguns pequenos desacertos que foram superados. A calça nova com um forte remendo deu até mais proteção para uma certa parte do copo. O galo caipira foi substituído por um velho relógio despertador a corda, é mais moderno. 
       E o casal de velhos, como em todos os contos de fadas, agora é feliz.
     

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O MUNDO DO FUNDO DO ESPELHO

          Baseado em: Os Seres Imagnários de Jorge Luis Borges e com um pouco da imaginação desse "pobre escriba".

         Houve em um tempo que já vai muito longe, um momento  em que os Seres Imaginários, aqueles que habitam o outro lado do plano do espelho, vinham até o nosso Mundo Real, principalmente, para comerciar e fazer turismo além é claro de muitas outras coisas. De modo semelhante, nós, os Seres Reais, que vivemos do lado de cá do plano do espelho íamos para o outro lado, em viagens semelhantes. Havia realmente um intercâmbio muito grande, também, nas áreas de saúde, educação, cultura, esporte, tecnologias etc...
         É claro que isso aconteceu em um passado tão remoto que as pessoas não sabem, não está registrado na História; apenas os conselhos de Sábios do Mundo, aqueles velhos que usam barbas e cabelos tão compridos quanto as suas vestes que se arrastam pelo chão, eram sabedores. Esses Sábios que se reunem em cavernas profundas na região do Tibete, o país mais alto do mundo, tem registrados nos seus imensos livros, livros muito antigos, todo esse conhecimento, um conhecimento secreto. Mas agora, na era da "internética e dos videntes fofoqueiros virtuais", esse conhecimento vazou.
         E lá está escrito que tudo sempre ocorreu em perfeita harmonia entre esses dois mundos civilizados durante um tempo sem fim; mas como diz o ditado: "Não há bem que sempre dure e nem mal que nunca se acabe", um dia aconteceu algo que rompeu essa harmonia. Algo semelhante aquela história da Mitologia  em que Helena,  princesa troaina é ráptada por Páris, príncipe grego e cantada em versos por Homero, poeta cego, na sua Odisséia. Dizem os Seres Reais que um príncipe do Reino do Mundo do Fundo do Espelho ráptou uma princesa do Mundo Real. Ou seja, um príncípe Imaginário rápitou uma princesa Real.
         Mas do lado de lá do plano do espelho a História é contada de outra maneira, ou seja; Foi um príncipe Real quem cometeu tal crime, destruindo a confiança mútua que existia entre esses dois mundos, até então, tão civilizados.
         E, infelizmente, o que aconteceu a seguir foi terrível. Houve  uma guerra, muito mais terrível do que a guerra acontecida aqui entre nós entre pica paus e maragatos; foi muito mais terrível, mil vezes mais terrível. Foi a mais terrível de todas as guerras; isso está escrito nos livros antigos lá nas cavernas no Tibete, o país mais alto do mundo. Talvez seja esse o motivo pelo qual ninguém mais se lembrasse desse tempo, ninguém mais queria saber que esse tempo terrível tivesse existido.
         Essa guerra durou uma eternidade causando danos terríveis nos dois mundos. E quando as batalhas aconteciam na frente dos espelhos eram uma confusão total porque todo o conhecimento dos generais, todas as estratégias e todas as táticas de guerra se tornavam inúteis; as imagens se tornavam repetidas e uma mesma batalha eram muitas batalhas  que geravam mais matanças, muitas matanças infundadas, muito mais órfãos, muito mais viúvas.  Muitas cidades viraram fumo, muitos campos também. Mas, felizmente, para nós Seres Reais, após sofrimentos que pareciam ser eternos, nós vencemos essa guerra. Vencemos e infrigimos uma derrota tão grande aos nossos inimigos que conseguimos encurralá-los bem pr'a lá do fundo do espelho.
            Para os Seres Imaginários foi uma derrota humilhante. Eles tiveram que nos pagar idenizaçoes de guerra de valores elevadíssimos. A maior dessas idenizações foi ceder o seu imenso território, o seu próprio mundo, O Fundo do Espelho, para que nós, os Seres Reais, podessemos usá-lo para nos mirar e adorar a nós mesmos, pricipalmente as Mulheres Reais. E eles, os Seres Imaginários, foram condenados, pelos nossos tribunais, a viverem em um mundo escuro e pantanoso muito p'rá lá do fundo do espelho e a conviverem com répteis de todas as espécies e  enormes mosquitos venenosos.
        Embora  nós, os Seres Reais tenhamos saído vencedores, essa insaneidade nos deixou profundas sequelas e nossas autoridades proibiram qualquer registros sobre ela, para que  fosse esquecida. Somente o Conselho de Velhos tinham esse conhecimento histórico e aconteceu que chegou um momento em que os Seres Imaginários não existiram mais nem na nossa imaginação.   
         Mas agora vasou pela "internética";  dizem que um estranho mensageiro que para nos amedrontar, possívelmente um Ser Imaginário, deixou escrito nas areias de uma de nossas praias, como provocação,  uma mensagem em que fala que bem p'ra lá do fundo do espelho os Seres  Imaginários organizaram um outro mundo, um mundo poderoso em que as tecnologias são avançadíssimas, e onde as armas de guerra são controladas pelo pensamento, na verdade essas armas são o próprio pensamento, pensamento e vontade. Pensam em uma bomba e a bomba existe, têem vontade de jogar a bomba em um alvo e lá vai bomba certeira e destruidora.
           E segundo a estranha mensagem os Seres Imaginários estão se organizando para nos atacar e se vingarem da humilhante derrota sofrida naquele passado remotíssimo. Eles já ocupam vastas regiões do fundo do espelho e sorrateramente  se aproximam de nós.
           Por esse motivo as autoridades do Mundo Real  estão ordenando para que todos os Seres Reais se prostem diante de todos espelhos espalhados pelo mundo e prestem muita atenção e se ouvirem um ruflar de tambores, imediatamente destruam os espelhos porque os Seres Imaginários estão chegando. Destruam os espelhos porque senão eles destruirão com a nossa raça.
           Uma noite dessa eu sonhei que estava diante de um espelho e ouvi um ruflar de tambores;  imediatamente dei o alarme e no mesmo instante ecoou por toda a Terra uma ordem mundial instatânea: QUEBREM TODOS OS ESPELHOS DO MUNDO. E tal aconteceu. Somente eu me esqueci de quebrar o meu, um pequeno espelho que nem os Seres Reais e nem os Seres  Imaginários prestaram atenção.
       Mas quando as mulheres Reais perceberam que viviam em um mundo sem espelhos, enlouqueceram e tal qual as AMAZONAS andavam a caça dos Homens Reais, esses seres infiéis; os acorrentavam,  os castravam, mas se o Ser Real fosse jovem, bonito, saudável, as Mulheres Reais primeiro espremiam os seus "atributos" em uma prensa e aparavam o caldo em  uma caneca; a perpetuaçao da espécie seria apenas uma questão de tecnologia e somente tecnologia. E depois o Ser Real macho seria apenas um escravo. Elas foram muito mais violentas do que poderiam ser os Seres Imaginários. E quando descobriram que eu tinha um pequeno espelho, bateram na minha porta e eu assustado na presença daquele bando de enlouquecidas, mergulhei para dentro do espelho e me tornei um ser "solitário e imaginário", talvez seja por isso que eu viva por aí imaginando e escrevendo essas mal traçadas linhas sem saber se estou no Mundo Real ou se estou no Mundo Imaginário.


              Frases:


              E se a realidade fosse apenas uma ilusão e se as ilusões fossem a verdadeira realidade?

               Carlos Castaneda _ Antropólogo _ do livro A Erva do Diabo


             O mundo em que nós vivemos não é um mundo real. É apenas uma sombra do mundo real.

             Cavalo Louco _  Jovem Guerreiro Sioux, que ouviu dos espíritos na Montanha Sagrada.

             Do livro _ Enterrem meu Coração na Curva do Rio _ Dee Brown