terça-feira, 19 de maio de 2015

Dizendo Adeus




              Conta-se que um rio nasceu no alto de uma enorme montanha e iniciou a sua jornada.

             Foi descendo pela encosta e pouco a pouco foi crescendo aumentando de volume. Projetou-se 
numa maravilhosa cachoeira e atingiu o sopé da montanha. Foi abrindo passagem entre árvores e
pedras, algumas mais facilmentes, outras com dificuldades. Admirava-se, ora de sua força, ora de
sua habilidade para contornar obstáculos. E crescia.

               Passou por planícies e por áreas ressecadas. Umedeceu-as dando-lhes condiçõesde colher
as sementes para florescerem e darem frutos. Matou a sede da terra, de povos, de animais e de pássaros. Conheceu outras corrente de águas e as reuniu em si, tornando se maior e mais fecundo. Os peixes se multiplicavam-se em suas águas. Era feliz!

               Certo dia, porém, foi despertado para uma realidade;  seu caminho seguia, inexoravelmente. para o mar. Chegaria o momento em que iria penetrar nele e, assim pensava, desaparecer para sempre.

               Pensou num meio de fugir dessa realidade. Mas não havia como saltar sobre o mar, nem tão pouco voltar atrás. Os rios não voltam. Ao fazer uma grande curva avistou o mar. Era enorme, parecia não ter fim. Teve medo.
             
                Contudo percebeu que este era o seu destino. E, temeroso, porém confiante, fez sua última descida. Entrou no mar.

                 Descobriu, então, a grande verdade; entrar no mar não é desaparecer, e sim tornar-se parte dele. o pequeno rio tornou-se parte do mar. Junto com tantos outros rios que haviam chegado de todos os cantos do mundo.

                Agora ele já não era só. Era parte de um todo, onde, de mãos dadas, todos eram UM.

                Desapareceu como um rio, renaceu como  um mar!

                                                       Evaldo A D'Assumpção _ PUC Minas 2001


terça-feira, 5 de maio de 2015

POETANDO: NUVEM

POETANDO: NUVEM: Aonde vais com Esse pesado fardo De sonhos Que tornam teus passos Tão pequenos? Aonde vais com Esse volume Tão grande de sa...

domingo, 3 de maio de 2015

O LÁPIS NA MATEMÁTICA





             Em Matemática um objeto imprescindível é o lápis, assim como é imprenscidível pararmos
 para refletir sobre o comportamento e seguir um método para melhor desenvovermos nossas tarefas.

                    Para entender issso você recebeu um lápis.

            Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz
com o mundo.


                   "Primeira qualidade: Você pode fazer grandes coisas, mas existe uma Mão que guia seus 
passos,

                   " Segunda qualidade: De vez enquanto eu devo parar o que estou escrevendo, e usar o 
apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final ele está mais afiado afiado. Portanto,
saiba suportar algumas dores, porque elas o farão uma pessoa melhor."

                Terceira qualidade: O lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que 
estava errado. Entenda que corrigir alguma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo 

importante para nos manter no caminho da justiça.

            "Quata qualidade: O que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, 
mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você."

            "Finalmente, a quinta qualidade do lápis: Ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, 
saiba que tudo o que voce fizer na vida ira deixar traços, e procure ser conciente de cada ação."

               Que sua vida acadêmica e profissional seja regrada por esta virtude, a da constante reflexão.

                                      Taise, professora de Matemática.

           

             


quinta-feira, 12 de julho de 2012

" A VERDADE"

                                     " 27 de agosto de 1894"

                       Jornal " A Verdade" de 1° de setembro de1928                                          

         27 de agosto de 1984, uma  data  memorável nos fatos da história
republicana do sul do Brasil.
          Faz hoje 34 anos que ao alvorecer da memorável data que encima
estas linhas, foi esta cidade, então  vila,  assaltada com surpresa de  seus 
habitantes, por numerosos grupos de revolucionários, comandados pelos
famigerados Candinho Baiano e os  três irmãos Rodrigues, Manoel, José
e Godiano.
          Em um momento reuniu-se  pequeno  número de patriotas,  homens
destemidos e republicanos até  a medula dos  ossos  enfrentando intemera-
tamente os assaltantes,  na defesa da  praça, exposta a todo o  ataque dos
 revoltosos. Comandam estes abnegados  patriotas o Cel. João Fernandes
e seu irmão  Capitão Pedro Fernandes, este já a alguns anos desaparecido
do cenário desta vida terrestre.
          Os  defensores da vila  apenas atingiram o  pequeno  número de 25
homens,  ao passo que os  assaltantes  eram  em número  superior a   200
revolucionários.
          Sobrevivem a estes abnegados patriotas que não mediram sacrifícios
na defesa de sua terra o Coronel Fernandes, senhores Bernardino Campos.
Antônio  Teodoro,  Juvêncio Santa  Helena, Fidélis vieira e  outros,   cujos
nomes escapam a memória.
          Um mês antes do assalto inopinado à vila de Araranguá, os revolucio-
nários atacaram o Passo do Sertão,  segundo distrito deste município,   que
foi heroicamente defendido pela bravura  por um grupo de guardas-cívicos,
sob o comando do saudoso Alferes Damásio Machado.
          Nesse  tiroteio que durou  algumas  horas,  o inimigo  foi  rechaçado
destacando-se um guarda-civil, que expondo-se as balas dos encarniçados
revolucionários, avançou  para o campo  aberto, tiroteando os adversários,
sem lhes dar tréguas.
           Aqui  na vila o  inimigo não  conseguiu o seu  escopo, pois um fogo
vivíssimo  fê-lo  recuar precipitadamente, sem desalojar um só republicano
de suas trincheiras.
           Entre os defensores da vila, felizmente, não se registrou uma  morte.
Os assaltantes, porém, deixaram sem vida, no campo de batalha, 5 homens
e fugiram precipitadamente, levando vários feridos.
           Gordiano Rodrigues, um dos comandantes das força revolucionária,
morreu  valorosamente  sobre  uma  trincheira,  que  constituíra  ao  sul  da
vila, ponto preferido para o ataque a esta localidade.
           Em frente ao  Campinas  Hotel, onde  existia  um cemitério naquela
 época,  jazem os  corpos do  Capitão Gordiano  e  5 dos  seus  soldados
mais destemidos.
           Durante o ataque, as famílias e mais alguns homens tímidos, abando-
naram  seus domicílios  e  os homens  foram  internando-se nas matas e  as
famílias em  demandas da  Lagoa da  Serra,  Canjicas  e  outros  povoados,
onde se supunham ao abrigo dos assaltantes,
           O atual  encarregado  da estação  telegráfica,  que naquele tempo já
 exercia  as  funções  desse  cargo,  desmontava todas as noites o aparelho,
telegráfico,  comunicando-se, durante o dia, com o então  governador  Mo-
reira Cesar, pondo-o ao corrente dos acontecimentos.
            Ao anoitecer, o denodado telegrafista corria as trincheiras, animando
os seus companheiros de  defesa, com o  valor de patriota  abnegado e sem
temor.
           Felizmente  chega  à vila  um contingente  de 100 praças do 10° Regi-
mento   de  Cavalaria,  sob  o   comando dos  distintos  oficiais  do  exército,
tenente  Nolasco e Teodomiro e Alferes  Leocrácio,  Evaristo e  Rosas,  que
guarneceram  todos os  pontos expostos mais  facilmente os assaltantes revo-
lucionários.
           Mais tarde tivemos novas investidas de revolucionários rio-grandenses.
Esses,  porém,  quase nenhum mal nos  fizeram, porque  vinham  de escapada
das forças legais, que nos puseram fora de campo de ação, em que operavam
os defensores da heróica e legendária terra do imortal Júlio de Castilho.


Nota: Extraído do livro Memórias do Araranguá Bernardino de Senna Campos
organizado pelo Padre. João Leonir Dall'Alba  _  paginas 170 e 171

Do mesmo livro:

Página "29"  _    Felizmente, no dia 4 de março tive ordem do Engenheiro-chefe
para ser desligado da estação e preparar-me para seguir para Torres, junto com
com uns oficiais da Divisão o General Artur Oscar, que estacionava naquela loca
lidade, cuja  oficialidade,   licenciada na Capital, teve ordem de  regressara seus
corpos. Entre eles,   inclusive estava o Major    Firmino L. Rego,  filho de  Santa
Catarina.

                   Remoção para Torres
                   Como disse acima, fui removido para Torres a 4 de março de 1894. 
Embarcamos no dia 6 do mesmo mês, às 6 horas da manhã, no trapiche do Arse
nal da  Guerra, conjuntamente com 25 oficiais  do exército e  muito   fardamento,
armas e munições para a Divisão.
..........................................................................................................................
                    No vapor "Frederico Hanse"
                    Tendo comparecido ao  nosso  embarque  o  Dr.  Júlio de Castilho,
 Presidente do Estado, o Eng. Dr. a. Guilon, e algumas outras autoridades, ........

Página "33" _ Chegamos à vila de Torres, às7 horas da noite, do dia18 de março
de 1894.  Saiu nesta     ocasião uma carreta, conduzindo o  General  Artur Oscar
comandante  da  divisão  do  centro, estacionada  em  Torres, que ia doente para
Porto Alegre, passando o comando para o Coronel Salustiano............................
                     A Vila de Torres é pobríssima e está situada em cima de uns  roche
dos junto ao mar. São três montes que se erguem na praia isolada, sendo o do nor
te onde está edificada a vila.................................................................................
....fundos assobradas e dão para uma lagoazinha que há abaixo do dito monte. em
 cima deste está edificada a igreja de São Domingos das Torres, padroeiro da vila.
                   Há umas casinhas  ao norte  dela, ao  norte da  vila 2  quilômetros, no
 lugar que chamam Potreiro, passa o rio  Mampituba, que faz divisa com o municí-
pio de Araranguá, em Santa Catarina.
                      ..........................................................................................................

                       Divisão do Centro _ Artur Oscar

                       Estacionava naquela ocasião,  em Torres,  uma coluna do exército com
 2000 homens, composta do 4°, 11°, 25° Batalhões, tendo a totalidade da oficialidade
 do 25° catarinense. Estavam ali para guarneceras fronteiras do estado.
Página" 34" _   Na estação de torres, a qual  estava instalada a primeira casa da vila, ao sul,  com  fundos para lagoa, havia, como carteiro, um bom  pardo, chamado Lourenço.Este obteve - me pensão em casa de  um velho  negociante da capital, que estava com negócio ali e era fornecedor da divisão chamado Leonidas Brandão, pagando 50 mil-réismensais visto não haver hotel em Torres. Isto para as refeições.
....................................................................................................................................
                        Em Torres travei relações com todos os oficiais, especialmente do 25°,
e com alguns catarinenses foragidos ali, vindos de Laguna, Tubarão e Araranguá, entre
eles o Dr. Polidoro de Santiago, que morava na  Laguna.  Na margem esquerda do rio 
Mampituba,  pouco  distante,  estava  acampado  um  corpo  cívico  de  200  homens, 
organizados na Vila de Araranguá, pelo filho daquele  lugar,  Apolinário  João  Pereira,
que era comandante com o título de Coronel.
                       Todas as tardes, quando estava de folga, passeava a cavalo com alguns
 oficiais. As vezes transpunha o Mampituba e vinha beber em Santa Catarina.
                       A  esquadra dos  revoltosos,  tentando uma  última cartada, atacaram a
 cidade de Rio Grande de que foram rechaçados. A divisão teve, na tarde de 4 de abril
de 94, a ordem de seguir para o sul, isto é, para Porto Alegre. Com eles eles seguiu  o
 meu fornecedor Brandão.  Passei a comer em casa de uma  viúva de que  morava em
 frente a uma estação, pagando 60 mil-réis mensais.

                       Regresso da Divisão a Porto Alegre

                       Partindo a Divisão na manhã de 6 de abril, debaixo de música, toque 
de corneta,  foguetes,  mulheres e crianças montadas   em  bois, cavalo magros,  etc., 
parecia um bando carnavalesco. Ficou a vila de Torres tristíssima, só com  os poucos
 moradores, e,  guarnecendo-a, o 16° Batalhão da Guarda  Nacional,  organizado ali 
 mesmo, sendo comandado pelo Coronel Capa Verde,que foi meu colega telegrafista.

 (...), vermelho e malacara, pela quantia de 4 mil-réis, a uma viúva por nome Laudilina 
 Freitas. engordei - o e serviu  para conduzir -me a Santa Catarina.

         Pág 37; Tendo tomado gosto pela equitação, visto, visto muitos passeios que
 fazia em animais emprestados,  especialmente um do guarda do sul, Ernesto, resolvi
comprar um cavalo de trote terminada a revolução. Caiu Santa Catarina em  poder               ???
 do governo legal em 16 de abril. Desligou-se a Divisão do Corpo cívico de  Araran-
guá e preparava - se para  retornar a essa vila, Tubarão  e  Laguna.  Estava  fechada 
estação de Araranguá, distante de Torres dez léguas,
                        A dita estação de Araranguá teve poucos dias de existência. Quando  a  Divisão  do  General  Artur  Oscar  passou  por  ali, desmontou  e  trouxe parTorres o aparelho e mais material.

          página 40 _            Remoção para Santa Catarina
                               Só  a 18 de maio de 1894, é que o senhor-engenheiro chefe  do
Distrito do  Rio  Grande  resolveu avisar ao encarregado de Torres a minha remoção
 para o distrito de Santa Catarina,.............................................................................
                                Nos  fins  de  maio  chegou  a Torres, vindo de Porto  Alegre, o
 sargento do 25°Batalhão, Geraldo Azevedo com duas praças, conduzindo os animais
do Major Firmino Rego, para Desterro......................................................................
Combinamos irmos juntos no dia 1° de junho de 1894.

                                            xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
                       
                                   Sobre Bernardino de Senna Campos 
              Nascimento 20-05- 1873 em Desterro e ali morou até os 18 anos.Após e na ordem  morou, em Santos, São Paulo, Ribeirão Preto, Porto Alegre, Rio Pardo, Torres, Araranguá; e sempre trabalhou como telegrafista nas cidades em que  passou.  Era funcionário público.  Em sua passagem  por Torres, como não podia deixar de  ser, era um arauto do poder. Em  1936 ainda estava vivo.

            No livro "História do Grande Araranguá", de autoria do padre Leonir Dall'Alba pagina"71" temos o seguinte depoimento de Alírio João Campos em "13/09/1896:  
            Meu tio Bernardino (de Sena Campos) era um homem muito arriscador (???). Uma vez encomendo uns móveis que vinham num vapor. Foi esperá-los com sua lancha na barra. Os que tomavam conta da barra tinham feito sinal que a barra estava impraticável por falta de fundura. Aí o meu tio trocou a posição da bandeira fazendo sinal para o navio passar. O navio entrou na barra abrindo um valo na areia, os da sinalização ficaram danados.